Terapia Corporal ou Psicoterapia Corporal – Formação ou Especialização?

Prof. Dr. José Henrique Volpi
01/10/2021

Não se surpreenda quando dizemos que esse é um assunto ainda bastante confuso… Quando fui estudar psicologia, ainda nos anos 80, era muito comum nos referenciarmos ao psicólogo como sendo um terapeuta. Até hoje isso acontece. O problema é que ao longo dos anos, muitos outros profissionais de áreas diferentes também foram se referenciando como terapeutas, pois afinal de contas, a palavra tem origem grega – therapeía,as – que significa ‘cuidado, tratamento de doentes’.

Ao mesmo tempo, esses profissionais que também faziam uso da palavra falada, do despertar das emoções, do acesso aos conteúdos inconscientes, também passaram a utilizar a denominação de psicoterapia. Essa também é uma palavra de origem grega  formada pela junção de Psykhé (mente) com therapeia (ato de curar, de restabelecer). E foi aí que começou essa mistura onde terapeuta era praticamente a mesma coisa que psicoterapeuta.

Mas a prática desses profissionais foi se desenhando com uma configuração mais específica onde os psicólogos começaram a se intitular como psicoterapeutas. Conforme ressalta o Conselho Federal de Psicologia:

“É consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que tem a habilitação adequada”’.

Em diversos países, a Psicoterapia é regulamentada como prática privativa de Psicólogos. Porém, cabe esclarecer que a psicoterapia no Brasil, não é prática exclusiva dos psicólogos. Isso quer dizer que, até o momento, outros profissionais podem exercer a psicoterapia.

Infelizmente parece que as intervenções nesse sentido não foram tão intensas ou eficientes por parte do Conselho Federal de Psicologia e só agora, em 2021 é que CFP lança Consulta Pública sobre Psicoterapia como atividade exclusiva para profissionais da Psicologia.

E quanto às formações e especializações?

Outro assunto polêmico dentro da psicologia visto que até poucos anos atrás, a psicologia não tinha em seu quadro profissional, quais seriam as especialidades da psicologia. E até hoje isso é confuso. Tanto é que essa história das especialidades nunca foi assunto de interesse do Conselho Federal até que certa vez, o presidente do Conselho Regional de Psicologia do Paraná – CRP-08, convidou para uma reunião profissionais que tinham em suas clínicas cursos de especialização ou formação profissional, para juntos discutirem sobre essa questão. A preocupação era que cada vez aumentava mais os tais cursos chamados de formação ou especialização, mas a qualidade dos mesmos era precária devido à pequena carga horária, ao conteúdo, etc. Foi a partir disso que o CRP-08 encabeçou no Paraná um estudo profundo, do qual eu fiz parte e fui coordenador da Comissão de Especialistas por muitos anos onde fizemos um enorme levantamento do assunto até concluirmos alguns requisitos mínimos para que essas formações fossem consideradas de qualidade. E com isso, a proposta seria que o CRP reconhecesse esses cursos em suas diferentes abordagens profissionais e desse respaldo ofertando aos profissionais formados por essas instituições o título de Especialista conforme sua abordagem: Psicologia Corporal. Terapia Comportamental, Sistêmica, Gestalt, Psicodrama, etc. A proposta em ofertar o título conforme a especialidade era porque sabemos que um profissional quando busca uma dessas formações/especializações, recebe um arsenal teórico e prático que lhe dá condições de atuar na clínica, empresa, escola, etc. 

Mas para nossa surpresa, assim que foi divulgado essa proposta em Diário Oficial na época, o Conselho Federal de Psicologia, que nunca teve interesse no assunto por mais que tivéssemos feito diversas consultas e comunicados, decidir que essa seria uma atribuição do Conselho Federal e não dos Conselhos Regionais. Isso ao meu ver foi mais uma briga política do que de interesse. Tanto é que tivemos que repassar todo o material de quase cinco anos de discussão e pesquisa para que o Conselho então definisse que iria ofertar o título de Especialista por área de atuação – Psicologia Clínica, Organizacional, Escolar, etc, e não por abordagens. Isso mostrou mais uma vez o desinteresse do próprio Conselho Federal em assumir de uma vez por todas quais seriam as áreas que a psicologia poderia reconhecer como também fazendo parte da psicologia. E isso também é bastante confuso no âmbito da psicologia que ainda não tem nada definido a esse respeito. Fato é que eu, por exemplo, que atuo com a Psicologia Corporal, ainda tenho problemas quando peço divulgação de um de meus cursos aos conselhos de psicologia e sempre tem um ou outro que responde: não iremos divulgar porque não reconhecemos a psicologia corporal como parte da psicologia. E ao mesmo tempo, o próprio Conselho Federal faz as divulgações dos cursos e congressos sem problema algum. Então, o que pensar disso?
E para botar mais lenha na fogueira, o mesmo acontece com a psicanálise onde faz parte da psicologia, mas não é da psicologia. É uma abordagem lecionada em algumas graduações de psicologia do primeiro ao quinto ano, mas não precisa ser psicológico para ser psicanalista. E assim vai.

Bem, para finalizar essa confusão, vem as denominações formação ou especialização

Sei que tem algumas diferenças, mas tudo vai depender do ponto de vista que você observa. Quando buscamos nos aprimorar em uma área ou abordagem da psicologia, queremos complementar nossa graduação, tendo com isso uma formação mais especializada, um olhar mais especializado no aprendizado. Por isso é que tanto faz dizer que tem uma formação ou uma especialização. 

O MEC é a instituição governamental responsável por avaliar, reconhecer, autorizar e credenciar todas as instituições de ensino superior do País, tanto presenciais como a distância (EAD). Sendo assim, toda Instituição de Ensino Superior (IES), seja ela faculdade, faculdade de tecnologia, instituto federal de educação, ciência e tecnologia, centro federal de educação tecnológica, centro universitário ou universidade, precisa pedir uma autorização ao MEC para abrir um novo curso.

Portanto, como não somos faculdade/universidade, não temos vínculo algum com o MEC. E como somos uma clínica – Pessoa Jurídica – nosso Registro Profissional é autorizado pelo Conselho Regional de Psicologia – CRP-08.

Um especialista é àquele que lança seu olhar profissional sobre determinada área ou assunto e com isso procura aprofundar seu conhecimento. Podemos ser especialistas em tipos de pães e bolos, em motor de carro, em áreas da medicina, da psicologia, etc. O importante, mais do que essa denominação é a qualidade do ensino que você recebeu que fará diferença na sua prática profissional. Então, faça sua escolha não apenas pelo certificado, mas principalmente pela qualidade do que irá ter ao longo de sua formação/especialização.

O curso de Especialização em Psicologia Corporal ministrado pelo Centro Reichiano, não lhe dá certificado reconhecido pelo MEC, mas lhe oferece uma formação da mais alta qualidade possível, tornando-o um especialista na área, capacitado-o a atuar com os recursos teóricos e técnicas que as abordagens da análise corporal reichiana e análise bioenergética lhe oferecem.